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terça-feira, 8 de agosto de 2017
Lisboa...
Lisboa me soou familiar, como uma tia que visitava na infância, com seus doces gostosos, sua casa velha, os crochês sobre as mesas e poltronas. A comida cheirosa servida em pratos antiquados, o vinhos em taças inapropriadas e o som dos parentes a conversar sobre os velhos tempos.
Me lembrou dos domingos na casa da avó, que nos enchia de guloseimas para depois nos pedir silencio na hora da sesta. E do tio-avô que primeiro me amedrontava pela carranca sisuda e tão séria, e que logo aos primeiros goles de vinho, soltava largas risadas, alegre e carinhoso. Lembrei da família quase portuguesa de minha mãe.
Lembrei também de Porto Alegre, onde eu nasci, e mais ainda de Imbituba, cidade onde escolhi viver, quase sem querer.
Reconheci em Lisboa as ruas do Rio de Janeiro, ou de São Paulo, Ouro Preto mas muito mais as calçadas da Barra de Ibiraquera que estreitam assim, sem aviso, bem como as calçadas de Alfama.
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domingo, 1 de junho de 2014
Sou livre, desde que me tornei seu escravo.
Seu fogo pungente me fez florescer como uma rosa.
Eu morri aos seus pés e voltei rapidamente à vida.
Minha liberdade inata não ofereceu nada em troca,
mas agora eu sou livre,
desde que me tornei seu escravo.
Hakim Sanai
Quando meus amigos, conhecidos,
colegas ou quem quer que seja, estranham o fato de que eu tenha mudado minha
vida, largado meu emprego, minha cidade ou outra coisa “minha” qualquer, eu
hesito em dar qualquer explicação.
Muitas vezes invento desculpas como
- estou cansada, vou tirar um sabático, quero viajar, conhecer o mundo, morar
na praia, e muitas outras pequeninas mentiras, já que sou incapaz de explicar o
inexplicável.
Hoje, digitando essas letras
soltas no simulacro de folha em branco desenhada na tela, busco a tarefa fadada
ao insucesso. Falar sobre Isso, Aquilo ou Ele.
A verdade é que toda a mudança
aconteceu por que quero estar aos pés de meu mestre, Aquele que me aponta a
Verdade, que afasta o véu de meus olhos e preenche meu coração de um Amor que
eu não sabia existir.
Os poucos amigos que sabem deste
fato se espantam e mal conseguem disfarçar. Imagino que eles pensem que eu, uma
mulher relativamente experiente, inteligente, esclarecida, basicamente culta,
jornalista, blá, blá blá, devo estar totalmente louca. Já ouvi de queridos
companheiros, que foram inclusive discípulos do meu absolutamente Amado Osho,
que ter um mestre é uma fraqueza para aqueles que precisam de alguém para dizer
a eles o que fazer. Um mestre nos torna escravos, já ouvi.
Apenas quando entreguei meu
coração a este Amor entendi o que diz o poeta sufi – “agora eu sou livre, desde
que me tornei seu escravo”.
Aos pés do Amor venho me perdendo
do que conhecia, soltando minhas certezas, desaprendendo tudo o que me
restringe aos conceitos que tomei emprestado, desde tanto tempo que nem mesma
sei...
Enfim, a busca, que tanto me
orgulhou e me fez correr de um lado a outro, terminou. Posso descansar aos pés
do Amado e não preciso mais buscar ou encontrar nada, apenas relaxar neste
silencio e nessa paz.
Só quem atravessou a margem pode
nos contar a boa nova!!!
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