Mostrando postagens com marcador Porto Alegre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Porto Alegre. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Lisboa...
Lisboa me soou familiar, como uma tia que visitava na infância, com seus doces gostosos, sua casa velha, os crochês sobre as mesas e poltronas. A comida cheirosa servida em pratos antiquados, o vinhos em taças inapropriadas e o som dos parentes a conversar sobre os velhos tempos.
Me lembrou dos domingos na casa da avó, que nos enchia de guloseimas para depois nos pedir silencio na hora da sesta. E do tio-avô que primeiro me amedrontava pela carranca sisuda e tão séria, e que logo aos primeiros goles de vinho, soltava largas risadas, alegre e carinhoso. Lembrei da família quase portuguesa de minha mãe.
Lembrei também de Porto Alegre, onde eu nasci, e mais ainda de Imbituba, cidade onde escolhi viver, quase sem querer.
Reconheci em Lisboa as ruas do Rio de Janeiro, ou de São Paulo, Ouro Preto mas muito mais as calçadas da Barra de Ibiraquera que estreitam assim, sem aviso, bem como as calçadas de Alfama.
Marcadores:
ferias,
Imbituba,
infância,
mudança,
Porto Alegre
domingo, 13 de setembro de 2009
Chove ainda... em POrto aLeGre

Chove na tarde fria de Porto Alegre
Trago sozinho o verde do chimarrão
Olho o cotidiano, sei que vou embora
Nunca mais, nunca mais
Vitor Ramil
Ele mesmo cantou pra mim agora há pouquinho num teatro cheio.
Esse verso, como sempre entra como uma agulha gigante lá fundo,
e não entendo,
Fui eu quem escrevi esta imagem ?
.
Ares de milonga...
Uma dor pungente
Fria
Chuvosa
Só os povos daqui
em baixo do sul do país tropical
sabem
do cinza que nos envolve
.
Ruas molhadas, ruas da flor lilás
desde sempre molhadas
tao diferentes do sol banhando
os mares de cima
.
Guaíba deserto, barcos que não estão
o rio que é lago
marrom e solitário
guarda os pingos do inverno
sonhando em ser ele mesmo
.
o desejo é das mentes
que sonham a felicidade
onde o calor
traz sorrisos gratis
.
me vejo
trópica
solar
nascida em outro sonho
mais amarelo
mais verde mais azul
Mas é sempre aqui...
.
Também eu me transformo numa canção
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
.
Chove em Porto Alegre
frio
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Outono em Porto Alegre

Desde que posso me lembrar eu amo o outono em Porto Alegre.
Tem uma dorzinha funda no peito que me aperta quando o céu fica azul, nesse tom de abril que se estende até maio, quando a chuva se atrasa.
Tem sido assim, todos os anos.
Abril chega, o azul escurece, a chuva para e a cidade se agita sobre uma calma que permeia tudo.
Os plátanos importados amarelam e flores improváveis florescem.
Os parques enchem, e a expectativa de um inverno escuro e solitário leva todos para a rua, freneticamente reunidos antes de hibernar.
Lembro da casa de meus avós quando o sol e o som do futebol no rádio preenchiam as tardes de outono na beira do lago, chamado Rio Guaíba. Os adultos dormiam ao sol e eu, ansiosa e agitada, esperava a hora de poder pegar minha bicicleta e voar pelas ruas de areia, banhadas pela brisa e pela luz de abril. As últimas tardes, antes das chuvas e do frio que só iria terminar na época de meu próximo aniversário, já na primavera, onde eu seria irremediavelmente mais velha.
Naquelas tardes eu já desconfiava que cada minuto vivido fosse um milagre que não poderia recuperar. E essa urgência me fazia correr entre as árvores do pequeno labirinto da praça de Belém Novo, em frente ao colégio onde jamais estudei, certa de que era agora ou nunca que aquela brincadeira poderia ser feita.
De lá para cá continuo correndo nos dias de outono com medo do frio que se aproxima, mesmo que hoje em dia ele raramente chegue.
Aquela dorzinha ainda me aperta quando vejo o contraste do verde das copas contra o azul mais escuro no céu, e as folhas secas no chão do parque da Redenção.
Acho que realmente o que me dói são essas folhas que insistem em cair todos os anos, como os dias que passam e não voltam, as pessoas que vão embora sem parar e o interminável mudar das estações que, dentro de mim, revolucionaram tudo, tantas vezes nesses anos.
E penso que aquele sonho do amor incondicional é como uma possibilidade que só nasce quando as folhas caem, mas então é quase inverno, e o que pode acontecer com um botão quando chega o inverno ?
Hoje amanheceu 6 graus e a chuva cai sem parar.
O azul acinzentou.
Logo faço 42..
Assinar:
Postagens (Atom)